Método

O ganho é calculado antes de ser prometido

Primeiro o problema ganha nome, depois vem a conta do que ele custa. O projeto só entra quando essa conta fecha.

Como um trabalho começa

Quatro passos até saber se vale um projeto

  1. Uma conversa de trinta minutos, sem compromisso

    Para nomear o problema: automação, dado ou decisão. Os três têm caminhos diferentes, e saber qual é o seu já muda o que vale fazer.

  2. O Diagnóstico de Decisão, com escopo e preço fixos

    Entrevistas com quem vive a operação e a árvore de causa e efeito do que trava. O diagnóstico é completo em si: sua equipe pode executar as recomendações sem nós.

  3. O ganho, estimado no modelo antes do projeto

    Onde está a restrição, quanto vale mexer nela e o que muda na segunda-feira. Se o número não aparece no modelo, dizemos que não aparece.

  4. O projeto, se a conta fechar

    Só depois do diagnóstico, e com o valor dele abatido. Quem decide seguir é você, com o número na mão.

O que cada frente entrega está em serviços.

A ferramenta central

Um conflito de operação, desenhado até o ponto em que ele quebra.

Caso real, numa implantação lean em linha de montagem de placas eletrônicas. A técnica é a Nuvem que Evapora, dos Processos de Raciocínio da Teoria das Restrições.

A pergunta, no chão de fábrica, era esta: qual o tamanho de lote que dá o menor lote possível, na maior quantidade possível, e ainda atende a demanda esperada do mês? Lote grande, e os itens do dia ficavam sem. Lote pequeno, e o tempo de setup estourava.

Objetivo

Atender a demanda do mês sem faltar item e sem perder capacidade

Para isso preciso

Ter o item certo pronto no dia em que ele é pedido

E então tenho de

Rodar lotes pequenos, trocando de produto com frequência

conflito direto
Para isso preciso

Não perder capacidade da linha em troca de ferramenta

E então tenho de

Rodar lotes grandes, com poucas trocas

Onde ele quebra

A seta entre “não perder capacidade” e “rodar lotes grandes” carrega uma premissa que quase ninguém enuncia em voz alta: que o tempo de setup é dado. Ele entra na conta como constante da linha, e o tamanho de lote é calculado em cima dela.

Numa linha SMD, setup é troca de feeder e de estêncil. Isso é reduzível: agrupar por família de componentes, preparar a troca fora da máquina, sequenciar para reaproveitar o que já está montado. Quando o setup cai, lote pequeno para de custar capacidade, e a premissa deixa de valer.

A segunda premissa é a que transforma o impasse em conta: que existe um tamanho de lote certo para a linha inteira. Não existe. Existe um por item, derivado da demanda dele, do tempo de setup e da capacidade que sobra. Isso é um modelo, não uma regra de bolso.

Note o que a nuvem faz e o que ela não faz: ela mostra onde vale atacar. Se compensa atacar ali, e quanto, é conta, e é o passo seguinte.

Nuvem que Evapora: Processos de Raciocínio da Teoria das Restrições, de Eliyahu M. Goldratt. Aplicação e diagrama nossos.
Fundamento próprio: dissertação de mestrado sobre heurística de sequenciamento baseada na Teoria das Restrições, UFPR, 2005.

Por que dá para conferir

O método está publicado

Duas dissertações, dois artigos com identificador permanente e um conjunto de dados aberto, usado por pesquisadores de fora. Está tudo em quem é o fundador, com os links: você confere sozinho, sem pedir licença a ninguém.

Contato

Conte o gargalo. Respondemos com o método, não com proposta.

Uma conversa de trinta minutos costuma bastar para saber se o seu problema é de automação, de dado ou de decisão. Os três têm caminhos diferentes.