Método
Primeiro o problema ganha nome, depois vem a conta do que ele custa. O projeto só entra quando essa conta fecha.
Como um trabalho começa
Para nomear o problema: automação, dado ou decisão. Os três têm caminhos diferentes, e saber qual é o seu já muda o que vale fazer.
Entrevistas com quem vive a operação e a árvore de causa e efeito do que trava. O diagnóstico é completo em si: sua equipe pode executar as recomendações sem nós.
Onde está a restrição, quanto vale mexer nela e o que muda na segunda-feira. Se o número não aparece no modelo, dizemos que não aparece.
Só depois do diagnóstico, e com o valor dele abatido. Quem decide seguir é você, com o número na mão.
O que cada frente entrega está em serviços.
A ferramenta central
Caso real, numa implantação lean em linha de montagem de placas eletrônicas. A técnica é a Nuvem que Evapora, dos Processos de Raciocínio da Teoria das Restrições.
A pergunta, no chão de fábrica, era esta: qual o tamanho de lote que dá o menor lote possível, na maior quantidade possível, e ainda atende a demanda esperada do mês? Lote grande, e os itens do dia ficavam sem. Lote pequeno, e o tempo de setup estourava.
Atender a demanda do mês sem faltar item e sem perder capacidade
Ter o item certo pronto no dia em que ele é pedido
Rodar lotes pequenos, trocando de produto com frequência
Não perder capacidade da linha em troca de ferramenta
Rodar lotes grandes, com poucas trocas
A seta entre “não perder capacidade” e “rodar lotes grandes” carrega uma premissa que quase ninguém enuncia em voz alta: que o tempo de setup é dado. Ele entra na conta como constante da linha, e o tamanho de lote é calculado em cima dela.
Numa linha SMD, setup é troca de feeder e de estêncil. Isso é reduzível: agrupar por família de componentes, preparar a troca fora da máquina, sequenciar para reaproveitar o que já está montado. Quando o setup cai, lote pequeno para de custar capacidade, e a premissa deixa de valer.
A segunda premissa é a que transforma o impasse em conta: que existe um tamanho de lote certo para a linha inteira. Não existe. Existe um por item, derivado da demanda dele, do tempo de setup e da capacidade que sobra. Isso é um modelo, não uma regra de bolso.
Note o que a nuvem faz e o que ela não faz: ela mostra onde vale atacar. Se compensa atacar ali, e quanto, é conta, e é o passo seguinte.
Nuvem que Evapora: Processos de Raciocínio da Teoria das Restrições, de Eliyahu M. Goldratt. Aplicação e diagrama nossos.
Fundamento próprio: dissertação de mestrado sobre heurística de sequenciamento baseada na Teoria das Restrições, UFPR, 2005.
Por que dá para conferir
Duas dissertações, dois artigos com identificador permanente e um conjunto de dados aberto, usado por pesquisadores de fora. Está tudo em quem é o fundador, com os links: você confere sozinho, sem pedir licença a ninguém.
Contato
Uma conversa de trinta minutos costuma bastar para saber se o seu problema é de automação, de dado ou de decisão. Os três têm caminhos diferentes.